Numa altura em que 87% da população escolar e estudantil mundial é afetada pelo encerramento de escolas devido à COVID-19, a UNESCO lança uma Coligação Mundial para a Educação para ajudar os Estados a desenvolverem as melhores soluções de ensino à distância e alcançar as crianças e jovens em maior risco.

"Nunca antes testemunhámos uma interrupção do ensino a esta escala", disse a Diretora-Geral da UNESCO, Audrey Azoulay. "A parceria é o único caminho a seguir. Esta Coligação é um apelo à ação coordenada e inovadora para desbloquear soluções que apoiem não apenas estudantes e professores agora, mas também durante todo o processo de recuperação, centrando-se na inclusão e na equidade.

Desde o encerramento das escolas para conter a pandemia, os governos implementaram soluções de ensino à distância e abordaram as complexidades do ensino virtual, desde o fornecimento de conteúdos ao apoio aos professores, orientação familiar e resolução de problemas relacionados com a conetividade. A equidade é a principal preocupação, uma vez que o encerramento das escolas afeta de forma desproporcional os alunos vulneráveis e desfavorecidos que dependem da escola para um conjunto de serviços sociais, nomeadamente em matéria de saúde e alimentação. "Precisamos de acelerar formas de partilhar a nossa experiência e ajudar os mais vulneráveis, quer tenham ou não acesso à Internet", afirmou a atriz Angelina Jolie, Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que se associou à UNESCO na criação da Coligação.

A Secretária-Geral adjunta da ONU, Amina Mohamed expressou o total compromisso das Nações Unidas para com a Coligação, alertando que "para milhões de crianças e jovens de meios desfavorecidos, o encerramento das escolas pode significar a perda de uma rede de segurança vital - de nutrição, proteção e apoio emocional". E acrescentou: "Este não é o momento para aprofundar as desigualdades". Este é o momento para investir no poder transformador da educação. Ao iniciarmos a Década de Acção, a nossa responsabilidade enquanto comunidade mundial é não deixarmos absolutamente ninguém à margem".
Juntaram-se à Coligação parceiros multilaterais como Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Organização Mundial da Saúde (OMS), Programa Mundial da Alimentação (PMA), União Internacional de Telecomunicações (UIT), Banco Mundial, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Banco Asiático de Desenvolvimento. A Global Partnership for Education, a Organisation Internationale de la Francophonie (OIF) e o fundo Education Cannot Wait (ECW) também aderiram à Coligação. Todos estão convencidos da necessidade de apoio rápido e coordenado aos Estados para mitigar os efeitos adversos do encerramento de escolas, especialmente para os mais desfavorecidos.

O setor privado - Microsoft, GSMA, Weidong, Google, Facebook, Zoom, KPMG e Coursera - também se juntaram à Coligação, trazendo recursos e experiência em tecnologia, conetividade e reforço de capacidades. As empresas que exploram dados relativos aos alunos e à educação comprometeram-se a respeitar a sua utilização ética.

Organizações filantrópicas e sem fins lucrativos - Khan Academy, Dubai Cares, Profuturo e Sesame Street - também são membros da Coligação. Comprometem-se a mobilizar os seus recursos e serviços para apoiar escolas, professores, pais e alunos durante este período de interrupção do ensino sem precedentes.

Os media são também convidados a juntar-se à Coligação, como a British Broadcasting Corporation (BBC) no âmbito do seu compromisso de apoiar os jovens provisoriamente não escolarizados em todo o mundo. A BBC transmitirá pontos de vista, reportagens e materiais educativos destinados a sensibilizar os jovens sobre o risco que representa o coronavírus.

Ao centrar-se na equidade e na igualdade de género, a Coligação Mundial para a Educação responderá às necessidades dos países, tal como expresso em recentes reuniões de Ministros da Educação organizadas pela UNESCO.

Envidará esforços para responder às necessidades de soluções livres e seguras, reunindo parceiros para enfrentar, entre outras coisas, os desafios da conetividade e do conteúdo. Fornecerá ferramentas digitais e soluções de gestão do ensino para descarregar recursos educativos digitais nacionais, bem como para gerir os recursos de ensino à distância e reforçar os conhecimentos técnicos através de uma mistura de tecnologia e de abordagens baseadas na comunidade, de acordo com os contextos locais. Em todas as intervenções, será dada particular atenção à segurança dos dados e à proteção da privacidade dos alunos e professores.

A Coligação visa especificamente:

 Ajudar os países a mobilizar recursos e implementar soluções inovadoras e adaptadas ao contexto para oferecer o ensino à distância, tirando partido de abordagens de alta tecnologia, baixa tecnologia e neutras do ponto de vista tecnológico;
 Procurar soluções equitativas e de acesso universal;
 Assegurar respostas coordenadas e evitar a duplicação de esforços;
 Facilitar o regresso dos alunos à escola aquando da reabertura das escolas, a fim de evitar um aumento das taxas de abandono escolar.
"Estamos a trabalhar juntos para encontrar uma forma de assegurar que as crianças de todo o mundo possam prosseguir a sua escolaridade, com especial atenção para as comunidades mais vulneráveis e desfavorecidas", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS, numa mensagem de vídeo para o lançamento da Coligação, juntamente com o Diretora-Geral da UNESCO e outras personalidades.

Lisboa, 30 de março de 2020

 

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