O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou que a educação é a «ferramenta mais forte» para combater o populismo, durante uma intervenção na Conferência Internacional “Higher Education in Emergencies – Doing more, better and faster”, no dia 5 de abril, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

"O mais poderoso alimentador do populismo é a ignorância, a falta de conhecimento. A educação é a ferramenta mais forte que temos para combater o populismo. Quanto mais produzirmos e disseminarmos o conhecimento, mais conseguiremos reduzir a ignorância e assim as possibilidades de populismo", sustentou Augusto Santos Silva, na sua intervenção no painel “Motion – International Education is complicit in the growing sentiments of nationalist populism, as it mostly serves to create a class of global elites”.

É através da educação, sublinhou, que se propaga a consciência de que "somos diferentes, mas pertencemos à mesma humanidade".

Por outro lado, o chefe da diplomacia portuguesa lembrou que a educação superior ainda é reservada a "uma elite", referindo a necessidade de promover um maior acesso à educação, diminuindo a "desigualdade, outro poderoso potenciador do populismo".

"Temos de falar não como populistas, mas temos de falar sobre os temas levantados pelos populistas e temos de falar com os populistas. Não podemos ignorar os tópicos que são suscitados pelo nacionalismo e pelo populismo", considerou.

Augusto Santos Silva salientou que o combate ao populismo passa pelo diálogo e por "procurar reconquistar as opiniões públicas", o que disse ser uma "tarefa muito importante de todos: governos, membros do parlamento, intelectuais, investigadores, cientistas, universidades, media, sindicatos, organizações não-governamentais, empresas".

O Ministro dos Negócios Estrangeiros interveio ainda na sessão de encerramento da conferência, que contou também com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A conferência foi organizada pela Plataforma Global para os Estudantes Sírios, uma iniciativa do antigo Presidente português Jorge Sampaio, e pelo Governo português.