Portugal e Irlanda têm aumentado a relação comercial nos últimos anos, um dos “muitos interesses em comum” entre os dois países, disse, no dia 10 de abril, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, no final de uma visita de dois dias a Dublin, que decorreu entre os dias 9 e 10 de abril.

Augusto Santos Silva Irlanda abril2018

“Temos muitos interesses em comum”, destacou Augusto Santos Silva, em declarações à Lusa, comentando que, desde o início deste século, nenhum Ministro dos Negócios Estrangeiros português tinha visitado a Irlanda nem nenhum chefe da diplomacia irlandesa se deslocou a Portugal.

Nesta visita bilateral, o governante português foi recebido pelo seu homólogo e também vice-primeiro-ministro, Simon Coveney, e com o presidente da câmara baixa do parlamento irlandês, Seán Ó Fearghaíln, além de representantes da oposição.

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Desde 2013, as trocas comerciais, essencialmente de serviços e turismo, entre os dois países aumentaram 16%, representando atualmente quase 2 mil milhões de euros por ano, indicou Santos Silva.

A Irlanda está entre os 20 fornecedores e os 25 clientes de Portugal, enquanto Portugal é um dos 30 mais importantes parceiros comerciais da Irlanda.

“É preciso ir olhando com atenção para esta dimensão bilateral”, salientou o ministro português.

Além disso, há várias empresas portuguesas a operar na Irlanda, nomeadamente nos sectores das infraestruturas, ambiente, tratamento de águas e consultoria e tecnologia, e há portugueses entre os quadros dirigentes de empresas sedeadas na Irlanda, incluindo “grandes tecnológicas”.

Por essa via, também tem crescido a comunidade portuguesa residente naquele país, onde há cerca de 6000 cidadãos nacionais inscritos, segundo os serviços consulares.

Durante o encontro com as autoridades irlandesas, foi abordado o Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia no final de março de 2019 -, com ambos os países a desejarem que o processo “seja o mais suave possível” e que seja possível alcançar rapidamente um acordo sobre o período de transição (até final de 2020).

Lisboa e Dublin pretendem que “o futuro relacionamento entre a União Europeia e o Reino Unido seja o mais próximo e o mais alargado possível, quanto ao comércio e investimento, mobilidade, cooperação institucional e segurança”, acrescentou Augusto Santos Silva.

Outro aspeto abordado pelos dois governantes foi a negociação do quadro financeiro plurianual pós-2020 da UE, onde há a mesma posição de que a política agrícola comum “não deve ser uma das variáveis sacrificadas”, embora Lisboa defenda o mesmo em relação à política de coesão.

Os dois países também coincidem na disponibilidade de aumentar as contribuições nacionais para o orçamento europeu, mas a Irlanda não partilha da visão de Portugal sobre a criação de novas taxas, nomeadamente sobre as empresas digitais.

Quanto à política externa, a Irlanda “tem prestado cada vez mais atenção a África e Portugal tem todo o interesse em cooperar”, destacou o governante.

Durante a deslocação, Augusto Santos Silva encontrou-se com empresários portugueses com investimentos na Irlanda e participou numa conferência sobre “O futuro da União Europeia: uma perspetiva de Portugal”, no Instituto Irlandês de Assuntos Europeus e Internacionais (IIEA).

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Texto: Lusa