O Ministro dos Negócios Estrangeiros visitou, no dia 7 de janeiro, o Centro Português de Caracas, onde teve uma sessão de perguntas e respostas com portugueses e lusodescendentes residentes na Venezuela.

A conta oficial do Twitter do Gabinete do Ministro resumiu a sessão da seguinte forma: “A ligação às comunidades é um vetor fundamental da política externa; não hesitamos no apoio às nossas comunidades; acionámos instrumentos específicos para os emigrantes na Venezuela; levamos problemas e preocupações da nossa comunidade às autoridades venezuelanas”.

Em declarações à agência Lusa sobre o encontro, o Ministro considerou ter sido “muito interessante”, pela afluência e pela franqueza das pessoas. Os portugueses “expuseram os seus problemas com toda a franqueza”, sublinhou Santos Silva, afirmando que “deu para perceber bem qual é a dimensão das dificuldades que a comunidade portuguesa sente que vive hoje na Venezuela”.

Relativamente a essas dificuldades, Augusto Santos Silva indicou que, em primeiro lugar está “a questão da segurança”, que “é crítica, porque as pessoas conhecem outras pessoas que foram objeto de roubo, algumas de sequestro”. “Infelizmente nos últimos anos tem havido até casos de assassínio, e isso cria um sentimento de insegurança que é preciso contrariar tão rapidamente quanto possível”, defendeu.

A segunda dificuldade que apontou foi “o acesso a bens básicos, alimentares, de medicamentos e de cuidados de saúde”.

"Em terceiro lugar, o clima de aflição que se vive nos últimos dias, por causa da intervenção junto dos supermercados de redes portuguesas no sentido de impor baixas de preços que as pessoas aqui entendem que não são possíveis, porque colocam esses preços abaixo dos próprios custos de produção”, disse.

Por outro lado, o governante referiu que o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem “uma noção muito clara de quais são os temas principais, e os temas são os relativos às condições económicas e sociais que hoje a comunidade vive aqui”.

Augusto Santos Silva disse também que Portugal pode contribuir para ajudar a Venezuela a superar as dificuldades atuais no acesso a bens alimentares e medicamentos. “Hoje, o principal grupo de produtos que exporta para a Venezuela são os agroalimentares, mas pode exportar muito mais". Por exemplo, "há cinco laboratórios portugueses que exportam medicamentos para a Venezuela e que podem exportar muito mais. Portanto, nós próprios podemos contribuir para superar estas dificuldades, certamente momentâneas, que hoje se vivem aqui”.