A inovação para um oceano sustentável

Todos os anos, entre o final de maio e o princípio de junho, a UNESCO celebra três dias internacionais importantes que representam uma oportunidade para refletirmos juntos sobre os três pilares sistémicos das alterações climáticas: a biodiversidade, o ambiente e os oceanos.

Este terceiro dia chama a atenção para uma questão fundamental: os oceanos. Estes ocupam a maior parte da superfície da Terra - 70% - a ponto de dar ao nosso planeta a sua cor inconfundível. Como tal, eles são barómetros eloquentes da sua saúde: observá-los é ver em que situação nos encontramos.

No que respeita ao clima, o aquecimento e a acidificação dos oceanos têm consequências nefastas para a vida marinha e para a terra firme: trata-se, obviamente, do aumento do nível da água que constitui um perigo para as populações que vivem ao longo das costas e nos Estados insulares; trata-se também de um risco que, por ser sistémico, é ainda mais preocupante e se tornará numa realidade se os oceanos deixarem de ser capazes de desempenhar a função reguladora do clima que há muito desempenham.

No que respeita à biodiversidade, o diagnóstico é, uma vez mais, alarmante. Onde a vida criou raízes, onde se diversificou e ramificou, e onde permanece em grande medida desconhecida, está profundamente ameaçada.

Conhecemos muito bem estas crises interligadas e interrelacionadas, graças, nomeadamente, ao trabalho da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, que celebra este ano o seu 60º aniversário; conhecemos também onde devemos atuar; mas temos ainda de avaliar a situação e mobilizarmo-nos amplamente para gerirmos o inevitável e prevenirmos o irremediável.

A COVID-19 oferece-nos esta oportunidade de nos reunirmos e criarmos programas de ação ambiciosos. Isto é verdade para o clima; é verdade para a biodiversidade; é também verdade para os oceanos. Como o Enviado Especial do Secretário-Geral da Nações Unidas para os Oceanos, Peter Thomson, explicou há alguns dias: «Se tivéssemos que aproveitar uma maré nos assuntos humanos seria, sem dúvida, esta».

Ao entrarmos na Década das Nações Unidas das Ciências Oceânicas para o Desenvolvimento Sustentável, é de facto nossa responsabilidade aproveitar este momento.

Aproveitemos, desde logo, este momento para aprendermos mais sobre estas profundezas que, muitas vezes, permanecem em grande parte desconhecidas para nós, e que ainda encerram muitos segredos que nos cabe desvendar.

Aproveitemos, ainda, este momento para dar largas à imaginação e à inovação: precisamos delas para enfrentar esta situação preocupante. Por esse motivo fizemos delas o tema das celebrações deste Dia Mundial.

Aproveitemos, por fim, este momento para fazer soar o alarme, talvez mais amplamente do que temos feito até agora, pois nenhuma solução técnica pode substituir uma consciência generalizada e pessoal das ameaças que pesam sobre os oceanos, os seus mistérios e a sua beleza.

"Necessito do mar porque me ensina", escreveu o poeta chileno Pablo Neruda, para quem o Oceano Pacífico era tão querido. Neste Dia Mundial, convido-vos a deixarem-se ensinar pelo oceano, a aprenderem com ele e a agirem por ele.

Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO

  • Partilhe