Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros, e Eurico Brilhante Dias, Secretário de Estado da Internacionalização, reuniram-se, no dia 8 de janeiro, com Jorge Arreaza, Ministro das Relações Exteriores venezuelano, e Simón Zerpa, Ministro das Finanças da Venezuela.

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Na reunião bilateral, os governantes abordaram as preocupações da comunidade portuguesa, tais como a insegurança, acesso a bens básicos, como alimentos, medicamentos e cuidados de saúde, e as imposições administrativas de preços, entre outras.

No mesmo dia, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países copresidiram a XI Comissão de Acompanhamento Luso-Venezuelana, que contou na mesa de negociação com a presença de representantes de 18 empresas portuguesas, investidoras na Venezuela.

A Comissão Mista tratou também das condições de reforço do ensino da língua portuguesa na Venezuela e sublinhou a importância do contributo económico e social da comunidade lusodescendente.

Comissao Mista Venezuela

Na sessão de abertura da Comissão Mista, Augusto Santos Silva manifestou disponibilidade para apoiar a Venezuela, retribuindo o apoio dado por Caracas durante a crise financeira, económica e social em Portugal. “Portugal manifesta aqui a sua disponibilidade para apoiar a Venezuela, em particular no que respeita a novos projetos de cooperação, e sobretudo apoiar, se a Venezuela sente que é útil, em áreas como a alimentação, a indústria agroalimentar, os alimentos, os medicamentos, a indústria farmacêutica, e outros bens de primeira necessidade”.

Augusto Santos Silva iniciou a sua intervenção explicando que “há três níveis muito importantes” das relações entre os dois países, e afirmou que “o mais profundo, é o humano”. “Há 200 mil pessoas que nasceram em Portugal e vivem na Venezuela, e se adicionarmos os que nasceram na Venezuela, filhos e netos de portugueses, chegaremos facilmente a meio milhão. É uma ligação muito profunda, porque está baseada no fator humano”.

Em segundo lugar colocou “o nível político da relação bilateral política e económica”, precisando que “a Venezuela foi muito importante”, em 2016, como membro do Conselho de Segurança da ONU, “pelo seu apoio à candidatura portuguesa” do atual secretário-geral da ONU, António Guterres.

“Em 2017 nós apoiámos reciprocamente as nossas candidaturas ao Conselho Executivo da UNESCO e ambos os países foram eleitos e trabalharam em conjunto nesse importante fórum da UNESCO. Temos esta boa tradição de apoios recíprocos a candidaturas, um aspeto na dimensão da relação bilateral que se faz em pleno respeito pela soberania de cada um, nunca misturando o que são os assuntos internos de cada país com as relações institucionais e políticas”.

Segundo o ministro, “há um terceiro nível”. A Venezuela é um país muito importante na América do Sul, nas Caraíbas e na América Latina, e Portugal um país membro da União Europeia, onde participa “de modo a que as nossas relações sejam de respeito recíproco e, desde o ponto de vista europeu, de incentivo a que o processo de diálogo intra-venezuelano prossiga com os melhores resultados que as partes venezuelanas consigam”.

O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou ainda que “o coração da relação política e económica e cultura entre Portugal e a Venezuela, desde o ponto de vista português, é a comunidade portuguesa que vive e trabalha na Venezuela”. “Tudo o que possamos fazer para promover a segurança das comunidades, para o acesso do público aos bens básicos e que os cuidados de saúde sejam melhores e para que haja uma boa compreensão, da necessidade venezuelana de ter preços estáveis, e de outra parte, a necessidade dos empresários portugueses, de terem condições de sustentabilidade para as suas empresas, comércios e redes de distribuição (…) será muito apreciado”.